VAPORIZAÇÃO A LASER DIMINUI A PRÓSTATA

 
VAPORIZAÇÃO A LASER DIMINUI A PRÓSTATA

Nova técnica menos invasiva tem sido usada nos casos de aumento da glândula masculina, condição comum depois dos 50 anos. A redução do tempo de internação também é uma das vantagens do procedimento.

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é um transtorno comum em homens com mais de 50 anos, chegando a atingir 80% deles. A doença caracteriza-se pelo aumento da próstata, comprimindo a bexiga e obstruindo parcial ou totalmente a uretra, prejudicando, assim, o fluxo normal da urina. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o problema acomete cerca de 14 milhões de brasileiros. Para tratá-lo, há a tradicional cirurgia com corte, que exige um tempo maior de recuperação. Uma nova técnica minimamente invasiva — ela vaporiza laser na glândula masculina — tem surtido resultados consideráveis.

Trata-se da Greenlight laser therapy — terapia da luz verde a laser, em tradução livre. “Ela reduz o tempo de recuperação quando comparado à cirurgia tradicional. Outra vantagem é a diminuição média do tempo de internação: de três dias do método antigo para, em média, um dia com o laser”, compara Bernardo Pace Silva de Assis, urologista do Pace Hospital e coordenador do Departamento de Endourologia da Sociedade Brasileira de Urologia Regional de Minas Gerais. Segundo Assis, as primeiras gerações de equipamentos de laser empregadas em HBP, como o de neodymium-YAG, coagulavam o tecido iluminado, que nem sempre se desprendia e, por isso, não desobstruía a luz uretral.

O Greenlight, que usa o laser KTP e o triborato de lítio, produz vaporização imediata e não apenas coagulação das massas glandulares intrauretrais, promovendo ampla cavitação local. Outra vantagem da técnica é a possibilidade de sondagem vesical, a drenagem da urina por meio de sondas. Além disso, a ausência de sangramento permite o uso da técnica em pacientes ingerindo anticoagulantes e a maior proteção da equipe médica contra infecções transmitidas por contato com sangue de pacientes infectados. “Nesse sentido, não deixa de ser significativo que tanto o Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula medicamentos e tratamentos nos Estados Unidos, quanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil aprovaram o Greenlight para emprego em hiperplasia prostática benigna. Nos EUA, já existem mais de 500 equipamentos em uso clínico”, acrescenta Assis.

O urologista esclarece que a HPB é uma doença silenciosa e que pode provocar infecção urinária e, em casos raros, evoluir para a insuficiência renal. Na maioria das vezes, porém, não requer tratamento. “Aqueles pacientes sintomáticos que procuram o urologista serão tratados conforme a severidade dos sintomas. Os levemente sintomáticos serão acompanhados clinicamente, ficando sob observação. Os moderadamente sintomáticos, tratados com medicamentos que impeçam o crescimento prostático, como o finasteride e a dutasterida, ou que relaxem a próstata”, detalha.

No caso dos homens severamente sintomáticos ou daqueles que, por qualquer razão, não possam tomar os medicamentos, é indicada a cirurgia. A operação pode ser a prostatectomia aberta, na qual é necessária uma incisão no abdômen e retira-se somente a parte central da próstata, onde há a compressão da uretra. “Outro tipo de cirurgia pode ser empregado, como a ressecção transuretral da próstata, um procedimento cirúrgico feito por meio da visualização da glândula via uretra e da remoção do tecido com bisturi elétrico. Ambas são cirurgias desobstrutivas”, explica Assis.

Presidente da regional mineira da SBU, Antonio Peixoto de Lucena Cunha esclarece que o tratamento da HPB não é complicado, pois, normalmente, se limita a intervenções medicamentosas. “Quando há indicação de cirurgia devido a complicações ou a falhas no tratamento clínico, temos várias opções. O padrão ouro, dos quais as demais técnicas procuram atingir resultados semelhantes, é a ressecção transuretral da próstata (RTU). Contudo, é um procedimento cirúrgico não isento de complicações, com limitações do volume da próstata. Com o desenvolvimento dos novos aparelhos, a melhora da técnica e a experiência do cirurgião, essas complicações têm diminuído cada vez mais”, relata.

Evolução tecnológica

Peixoto acrescenta que há outros métodos para tratar a hiperplasia, como a plasmovaporização (consiste em usar um eletrodo de vaporressecção em forma de cogumelo invertido que, com uma voltagem maior, vaporiza a próstata); a prostatectomia a laser (estando disponível vários tipos de fonte, como KTP laser, Green Light 180-W XPS, Holmium-Yag Laser, Thulium YAG Laser, entre outros; a termoterapia e a ablação transuretral da próstata por agulha, um procedimento ambulatorial para tratar os sintomas urinários causados pela HPB.

Segundo o médico, todas as técnicas endoscópicas apresentam limitações, vantagens e desvantagens. As principais inconveniências são o elevado custo e a falta de comprovação de resultados a longo prazo. “Em próstatas volumosas, a melhor opção é a cirurgia aberta por apresentar uma opção segura e eficaz, permitindo uma completa remoção do adenoma (HPB) e menores taxas de retratamento”, acrescenta o especialista, ressaltando que a videolaparoscopia tem conquistado espaço no acesso das prostatectomias (remoção cirúrgica de parte ou toda a próstata), com limitação do volume, porém com um futuro promissor.

“Nas cirurgias endoscópicas, o tempo de internação varia de um a dois dias, mas existem estudos e publicações com a realização desses procedimentos ambulatorialmente. Contudo, ainda não se definiu a vantagem dessa alta precoce, uma vez que o paciente sai com sonda vesical. Nas prostatectomias abertas retropúbicas (incisão feita no abdômen inferior, com remoção da próstata), a internação é de dois a quatro dias, e nas suprapúbicas (abaixo do umbigo até a raiz do pênis), em torno de cinco a 10 dias”, esclarece Peixoto.

O especialista salienta que a evolução tecnológica possibilitou grandes avanços no tratamento da HPB nos últimos anos, com consequente diminuição dos riscos de transfusão, diminuição no tempo de internação e de cateterismo vesical. “Todos os procedimentos têm vantagens e desvantagens, diferentes fontes de energia podem ser utilizadas para remover ou destruir o tecido prostático que obstruiu a uretra”, avalia. O urologista, segundo ele, é capaz de orientar o paciente sobre qual será o melhor procedimento. “Apesar de termos ainda como padrão ouro a ressecção transuretral da próstata, existem outras alternativas com vantagens e desvantagens, custos e benefícios que devem ser levados em consideração, cabendo ao paciente e seu médico analisar e definir em conjunto qual o melhor procedimento a ser realizado”, conclui.

Possibilidades de diagnóstico

A descoberta da hiperplasia benigna da próstata ocorre geralmente durante o exame retal. Ao introduzir o dedo no reto do paciente, o médico consegue determinar se a glândula apresenta um tamanho considerado normal. A avaliação da função renal pode, segundo o Manual Merck de Informação Médica, ser feita pela análise de uma amostra de sangue. Caso haja dúvida sobre a existência do problema, o médico recorre a uma ecografia, que permite medir o tamanho da próstata e a quantidade de urina que fica na bexiga após a micção. A mensuração do líquido que fica no corpo também pode ser realizada com a introdução de um cateter por meio da uretra do paciente depois de ele ter urinado.

“Outra vantagem é a diminuição média do tempo de internação: de três dias do método antigo para, em média, um dia com o laser” - Bernardo Pace, urologista

Fonte: Augusto Pio - Estado de Minas

Publicação:03/07/2014

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