DIABETES INSIPIDUS CAUSAS E SINTOMAS

Autor: PEDRO PINHEIRO - Artigo atualizado em 20 de setembro de 2014

O diabetes insipidus é uma forma de diabetes mais rara e que nada tem a ver com falta de insulina ou aumento da glicose no sangue.

A palavra diabetes vem do grego antigo e significa sifão, um sistema mecânico que permite a passagem de água de um lado para outro.

O primeiro relato de diabetes data do ano 70 D.C e descrevia doentes que apresentavam grandes volumes de urina (poliúria) associado a muita sede. Porém, foi somente no século XVII que se descobriu que havia 2 tipos diferentes de diabetes. Um associado a excesso de glicose no sangue (hiperglicemia) e outro não. Estabeleceu-se então o diabetes mellitus e o diabetes insipidus.

Para entender o que é o diabetes insipidus, é necessário antes entender como o rim controla a quantidade de água que é excretada na urina. Vou tentar explicar da maneira mais simples possível.

O eixo hipotálamo/hipófise, duas glândulas do nosso sistema nervoso central, produzem um hormônio chamado vasopressina ou hormônio anti-diurético (ADH, sigla em inglês). Este hormônio é liberado na corrente sanguínea e age principalmente nos túbulos renais, impedindo que os rins percam água através da urina.

O mecanismo funciona da seguinte maneira: imaginemos um indivíduo em um dia quente de verão trabalhando ao sol. Essa pessoa sua muito e como tem pouco acesso a água, começa a se desidratar. O nosso organismo é muito sensível a qualquer sinal de desidratação e pequenas perdas de água ativam logo a liberação do ADH para o sangue.

Sede

O ADH age de 2 maneiras. Uma estimulando a sede e fazendo que pessoa comece a procurar por água antes que a desidratação fique mais grave. A segunda é nos rins, diminuindo a quantidade de água que sairá pela urina, retardando o processo de desidratação. Quando há muito ADH circulante a urina fica bem concentrada, com coloração e odor forte devido a pouca quantidade de água para diluir as substâncias presentes (leia: URINA COM CHEIRO FORTE ). Por isso, a cor da urina é sempre um bom indicador do estado de hidratação de um indivíduo.

Agora imaginemos uma pessoa bem hidratada que se encontra em uma festa, em um ambiente com ar-condicionado e várias bebidas e comidas disponíveis. Essa pessoa começa a ingerir líquidos e o organismo nota que há mais água no corpo do que necessário. Neste momento a hipófise suspende a liberação de ADH, e o rim, sem a presença deste hormônio, começa a excretar o excesso de água pela urina. A urina agora é bem clara, quase transparente.

Através do ADH o organismo tem um controle muito fino da quantidade de água corporal. Pequenas alterações para mais ou para menos são suficientes para estimular ou inibir a liberação de ADH, concentrando ou diluindo a urina.

Então, o que é exatamente o diabetes insipidus ?

O diabetes insipidus ocorre basicamente por 2 motivos: um problema no sistema nervoso central que impede a produção e liberação do ADH, mesmo em estados de desidratação; ou um problema nos rins que passam a não responder a presença do hormônio. Em ambos casos o resultado final é um excesso de perda de água pela urina, chamada de poliúria.

Quando existe ADH mas o rim não responde ao mesmo, damos o nome de diabetes insipidus nefrogênico. Quando há falta de produção do ADH pelo sistema nervoso central, chamamos de diabetes insipidus central.

Os doentes com diabetes insípidos apresentam intensa diurese, se desidratam facilmente e por isso bebem muita água. Enquanto o doente tiver acesso fácil a líquidos, não ocorrem grandes complicações além do inconveniente de precisar urinar o todo tempo. Se o paciente urina em excesso e não bebe água para repor as perdas, inicia-se um processo de desidratação severa que coloca a sua vida em risco. Se quiser ler sobre todas as causas de urina em excesso: URINA EM EXCESSO. O QUE PODE SIGNIFICAR ?

1.) Diabetes insipidus central

O DI central ocorre por agressões ao eixo hipotálamo-hipófise que para de produzir o ADH necessário para evitar perdas de água excessiva na urina. As principais causas são:

– Cirurgia do sistema nervoso central com lesão acidental do hipotálamo ou hipófise.

– Traumas

– Tumores do sistema nervoso central

– Auto-imune com produção de auto anticorpos contra as células produtoras de ADH (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE )

– Genética. Algumas famílias apresentam falhas na produção de ADH por mutações genéticas.

– Anorexia nervosa

– Encefalopatia hipóxica. Lesão cerebral por hipoxemia (falta de oxigênio), normalmente secundária a períodos de parada cardíaca.

2.) Diabetes insipidus nefrogênico

O DI nefrogênico ocorre por uma incapacidade do ADH em agir no rim, normalmente por defeitos nos receptores dos túbulos renais. O hipotálamo produz o ADH, porém este não consegue executar suas funções nos rins.

As principais causas de DI nefrogênico são:

– Alterações genéticas nos receptores dos túbulos renais.

– Uso crônico de lítio.

– Hipercalcemia (cálcio sanguíneo elevado).

– Hipocalemia (potássio sanguíneo baixo).

– Amiloidose.

– Síndrome de Sjögren.

Existe uma terceira forma de diabetes insípidos que ocorre durante a gravidez. A placenta de algumas mulheres produz uma enzima que inativa o ADH circulante, levando a um DI transiente, que desaparece após o parto.

Tratamento do diabetes insipidus

No Diabetes insipidus central como há falta de produção do ADH, o tratamento se baseia-se na reposição de ADH sintético via oral ou intra-nasal.

No caso do diabetes insipidus nefrogênico, o problema não é falta de ADH. Por este motivo, não adianta usar ADH sintético. O tratamento é feito com a suspensão do lítio ou correção dos distúrbios do cálcio e do potássio. Nos casos genéticos o tratamento é feito com dieta pobre em sal, diuréticos da família dos tiazídicos e anti-inflamatórios.

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