Câncer de próstata

Fonte: portal Hospitais Brasil

Autor: Dr. Romolo Guida é médico urologista da Clínica São Vicente e Chefe do Setor de Oncologia Urológica do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.

Data da Publicação: 26 / 11 / 2014

O câncer de próstata é o segundo tumor maligno mais comum do sexo masculino, ficando atrás somente do câncer de pele. Pode-se dizer que é o tumor sólido mais freqüente no homem. O risco de um paciente do sexo masculino ter câncer ao longo da vida gira em torno de 15%, no entanto o risco de morrer deste câncer é somente de 3%.

Isto já demonstra uma diferença importante que deve ser esclarecida: embora o câncer de próstata seja freqüente, não necessariamente os pacientes irão falecer devido a este tumor. Este fato ressalva a importância do diagnóstico precoce.

Os fatores de risco identificados até o momento para desenvolver o câncer de próstata são: ser homem, parentes próximos com história de câncer de próstata, etnia e localização geográfica. Vale dizer que a localização geográfica por si só não é causadora do câncer e sim todos os costumes e características (alimentos, hábitos) daquela região que irão ter influência no desenvolvimento do tumor.

Os dados mais atuais do câncer de próstata no Brasil, fornecidos pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), projetam uma estimativa de 68 mil casos novos da doença no ano de 2014, com aproximadamente oito mil pacientes vindo a óbito decorrente do mesmo.

É um tumor de homens na terceira idade: mais da metade dos casos descobertos são homens com mais de 65 anos. Embora sendo raro nos homens com menos de 50 anos (cerca de 2% dos casos), as formas hereditárias costumam aparecer nesta faixa etária, o que nos leva a ter um cuidado especial com familiares de pacientes que tiveram diagnósticos de câncer de próstata abaixo dos 55-60 anos.

A única forma de termos contato e podermos avaliar a consistência prostática é através do ânus do paciente. O toque retal permite que a ponta do dedo do médico toque a superfície prostática, avaliando sua consistência e tamanho.

É um exame que embora desconfortável, tem grande utilidade, uma vez que os tumores da próstata se apresentam em boa parte dos casos com nódulos endurecidos. Portanto, o toque retal não foi substituído pelo exame de sangue, ambos são necessários e complementares.

O diagnóstico se faz a partir do exame de sangue, onde dosamos uma substância chamada de PSA (Antígeno Prostático Específico) e pelo toque retal.

O PSA é uma enzima produzida somente pela próstata, o que o torna uma ferramenta excepcional para diagnosticarmos problemas específicos da próstata. O problema é que a elevação do PSA no sangue não se dá somente nos casos de câncer: ele aumenta com a idade, com o tamanho da próstata, com infecções prostáticas (prostatites) e também com o câncer.

Conforme dito anteriormente, o toque é complementar ao PSA, uma vez que cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata apresentam valores de PSA considerados normais. A utilização dos dois métodos (sangue + toque) aumenta a chance de diagnosticarmos o tumor.

Não devemos encarar o PSA como um divisor de águas, ou seja, acima de um valor tem câncer e abaixo deste valor não tem câncer. Devido aos múltiplos fatores que podem elevar o PSA, devemos ter em mente que um valor isolado, mesmo alto, pode não representar câncer e valores baixos podem não nos alertar da presença do mesmo. Somente o médico pode avaliar e concatenar todas essas nuances relacionadas ao PSA.

Caso seu médico note alguma coisa estranha no toque retal ou o PSA não esteja adequado, ele deverá solicitar uma biópsia da próstata. Este exame consiste em tirar fragmentos da próstata para serem analisados pelo médico patologista. É a única forma de comprovação do câncer.

Feito o diagnóstico, temos que pensar em como tratá-lo. Esta talvez seja uma das questões mais difíceis de serem respondidas no momento. Existem diversos tratamentos disponíveis com ótimos índices de cura. A grande arte está em adequar o melhor tratamento para um paciente específico. Não existem dois pacientes iguais, assim como não temos dois tumores iguais.

O câncer de próstata pode se apresentar de forma muito indolente, em que o paciente virá a falecer não em função do tumor, até situações de extrema agressividade em que no momento do diagnóstico a doença já se encontre em fase avançada.

Em linhas gerais temos dois tipos de tratamentos com intenção curativa: a cirurgia e a radioterapia. A quimioterapia só é indicada nos casos terminais.

A cirurgia consiste na retirada completa da próstata. Sua grande vantagem é que como só a próstata produz PSA, quando esta é removida, qualquer elevação do mesmo significa que a doença está voltando e podemos complementar o tratamento de forma rápida.

A radioterapia também é uma boa opção para casos selecionados, mas como a próstata não é retirada, o controle com PSA é um pouco mais difícil.

A grande questão que sempre vem à tona quando falamos de cirurgia para o câncer da próstata é o risco de ficar impotente e incontinente.

Estas sequelas são decorrentes de vários aspectos: idade do paciente, co-morbidades (hipertensão, diabetes), extensão da doença, terapêutica utilizada, técnica (tanto na cirurgia como na radioterapia) utilizada. É importante frisar que o tratamento com radioterapia também tem conseqüências importantes sobre a potência e sobre a continência.

Atualmente os índices de impotência e incontinência são muito menores do que há 10 anos, mas não podemos dizer que ainda não exista chance de acontecer. O mais importante no câncer da próstata é o diagnóstico precoce. Com a doença ainda limitada, as chances de cura são muito grandes e o risco de impotência e incontinência são bem menores.

1 Reply

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  • Muito esclarecedor o artigo!

    Parabéns!

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