Diabetes, Aprender a Conviver - ANAD
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Espanha pode ter desenvolvido a cura para diabetes tipo 1

Espanha pode ter desenvolvido a cura para diabetes tipo 1

Os cientistas espanhóis criaram uma molécula que é capaz de regenerar as células produtoras de insulina e reduzir o ataque autoimune, possibilitando, desta forma, a cura do diabetes tipo 1. Ainda não se sabe quando o fármaco estará pronto a comercializar.

Transformado num fármaco, a substância foi testada em ratos transgénicos e em cultivos de tecido pancreático doados por parentes de pessoas falecidas.

O êxito do estudo publicado esta semana na revista "Nature Communications" - desenvolvido por uma equipa internacional de cientistas encabeçada por investigadores do Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa (Cabimer) de Sevilha - foi confirmado, uma vez que, além de reduzir o ataque autoimune, repõe as células beta do pâncreas destruídas, aquelas cuja função é armazenar e secretar insulina.

Até agora, apenas era possível uma função ou a outra, através da imunossupressão ou terapias celulares.

Em que consiste a diabetes tipo 1?

A diabetes tipo 1 é uma condição autoimune que, normalmente, aparece na infância ou adolescência e que pressupõe que o próprio corpo, através dos linfócitos, reaja contra as células beta do pâncreas, não permitindo, por isso, a libertação de insulina. Desta forma, a glicose fica acumulada no sangue, em vez de ser utilizada como energia, daí a necessidade de utilizar a injeção de insulina para o resto da vida.

A diabetes é a doença com a prevalência mais alta no mundo, afetando cerca de 430 milhões de pessoas, de entre as quais, aproximadamente 95% são de tipo 2 (proveniente da obesidade e que se pode curar com perda de peso, alimentação saudável e exercício físico) e 5% de tipo 1.

A descoberta

A estrutura deste novo composto químico (BL001) está protegida por uma patente da Fundação Pública Andaluza Progresso e Saúde, mas permite, no fundo, ativar um recetor molecular que está situado na superfície de algumas células imunes e das células do pâncreas, segundo explicou a primeira autora do estudo, Nadia Cobo-Vuilleumier, citada pelo "El País". Esta interação reduz, por isso, a resposta inflamatória e protege as células beta.

Este novo fármaco também atuará no sentido de provocar a transformação das células alfa, presentes nas ilhotas de Langerhans (grupo especial de células do pâncreas que produzem insulina e glucagon, substâncias que agem como importantes reguladores do metabolismo de açúcar), em células beta, uma vez que o recetor é o mesmo. O fenómeno chama-se transdiferenciação e resolve o problema da regeneração das células beta destruídas que apenas era tratado com as terapias celulares.

Ainda não há data para ser comercializada

Apesar do sucesso dos ensaios clínicos em ratos transgénicos e em cultivos de tecido pancreático doados por parentes de pessoas falecidas, este novo fármaco ainda não está pronto a ser comercializado. O investigador principal da Cabimer, Benoit Gauthier, quer o medicamento viável "assim que possível", mas assegurou ao "El País" que é impossível fazer previsões.

"Desenvolver um fármaco desde o laboratório até ao paciente custa uns 20 milhões de euros. Já gastamos três milhões. Se me dás amanhã 17 milhões, em poucos anos, se tudo correr bem, já estaria no mercado", revelou. Além de financiamento público, esta investigação recebeu também contribuições de associações de pais espanholas.

Novos passos

Por agora, está-se a tentar descobrir quais as derivações do composto que têm mais eficácia e quais são as mais tóxicas.

Os ensaios clínicos foram realizados com injeções do composto químico, mas o objetivo é transformar num comprimido. "As farmacêuticas preferiam um comprimido que os pacientes tenham que tomar toda a vida, mas o meu desejo é que se possa reeducar o sistema imunitário", explicou Gauthier.

Fonte: Jornal de Notícias : 21/04/2018

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