Estudos mostram que o ciclismo previne contra a mortalidade precoce

No Brasil, o potencial é grande, mas os incentivos e as pesquisas sobre os benefícios da modalidade ainda são poucos

Na infância, ela é um objeto de desejo, aguardado ansiosamente no Natal e em outros dias festivos.

Com o tempo, porém, a bicicleta é deixada de lado, acumulando pó em um cantinho da garagem.

Um desperdício. Afinal, pesquisas indicam que pedalar não é só uma atividade prazerosa, mas faz bem à saúde, ao planeta e ao bolso.

Em um mundo cada vez mais sedentário, problema que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), será o responsável por 23,3 milhões de óbitos em 2030, trocar o carro pela bike protege contra a mortalidade precoce, ajuda a reduzir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera e ainda representa uma economia substancial para os cofres públicos.

“Estamos muito parados e precisamos nos movimentar.

Ao nos tornarmos mais ativos, já conseguimos eliminar até oito de 10 doenças atreladas ao sedentarismo, como obesidade, hipertensão e diabetes”, observa o educador físico Pedro Guimarães, especialista em fisiologia do exercício da clínica Metafísicos. “Se for analisar a bicicleta como meio de transporte de energia limpa, você vai colher diversos benefícios, emitindo menos CO2 e colaborando para um mundo menos poluído”, lembra. Assim como a camada de ozônio, que sofre com os gases de efeito estufa, a saúde humana é extremamente prejudicada por poluentes: enfermidades relacionadas à má qualidade do ar vão de asma a atraso cognitivo, com um gasto estimado, no Brasil, de quase US$ 2 milhões por ano, de acordo com um estudo publicado na revista Ciência e saúde coletiva por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade de São Paulo (USP).

A adoção da bicicleta como meio de transporte será estimulada na COP 21, a conferência mundial do clima, que acontece em Paris, no fim do ano. Para incentivar esse meio sustentável, a prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo, anunciou que pretende limitar o trânsito por veículos motores no centro da cidade a ambulâncias, carros de residentes e de serviços de entrega. No Brasil, o potencial de uso de bicicletas como meio de transporte é enorme. Afinal, o país é o quinto maior consumidor desse veículo, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

Mas, por aqui, faltam políticas públicas de incentivo à atividade, assim como estudos que investiguem os efeitos das pedaladas regulares na saúde. Ao fazer uma revisão da literatura científica a respeito do tema nas três principais bibliotecas de artigos acadêmicos do mundo, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz não encontraram nenhum trabalho brasileiro sobre os benefícios do ciclismo para o organismo. No exterior, porém, há um grande volume de pesquisas.

Fonte: Ciência e Saúde - CB por Paloma Oliveto

postado em 19/07/2015

oldestnewest

You may also like...