PÉ DIABÉTICO E FERIDAS COMPLEXAS

Fonte: Portal SBD

Segunda, 01 Setembro 2014

O Pé Diabético, principal causa de amputação do membro inferior (risco de 15 a 40 vezes maior), mais do que uma complicação do Diabetes, deve ser considerado como uma situação clínica bastante complexa, que pode acometer os pés e tornozelos de indivíduos portadores de Diabetes Mellitus; tem como principais fatores de risco, a neuropatia periférica, as deformidades e a limitação da mobilidade articular; assim, pode reunir características clínicas variadas, tais como alterações da sensibilidade dos pés, presença de feridas complexas, deformidades, alterações da marcha, infecções e amputações, entre outras.

A abordagem deve ser especializada e deve contemplar um modelo de atenção integral (educação, qualificação do risco, investigação adequada, tratamento apropriado das feridas, cirurgia especializada, aparelhamento correto e reabilitação global), objetivando a prevenção e a restauração funcional da extremidade.

Dados epidemiológicos demonstram que o pé diabético é responsável pela principal causa de internação do portador de diabetes.

A Organização Mundial de Saúde reconhece que a saúde pública se depara com um sério problema em relação ao diabetes.

A previsão para o ano de 2030 é de mais de 550 milhões de portadores de diabetes. Destes, pelo menos 25% vão ter algum tipo de comprometimento significativo nos seus pés. Atualmente, estima-se que, mundialmente, ocorram duas amputações por minuto às custas do pé diabético, sendo que 85% destas são precedidas por úlceras.

A tendência atual, em virtude da abordagem e resultados mais eficientes, vem apontando para a necessidade da inserção de todos os pacientes portadores de diabetes em centros integrados por multiprofissionais capacitados no manejo especializado do pé diabético.

Estatisticamente vale a pena ressaltar que 50% dos portadores de diabetes desconhecem que têm este diagnóstico.

Portanto, é de suma importância a busca desses pacientes, que também desconhecem apresentar um pé de risco para a manutenção sadia da extremidade.

Aqueles que já conhecem o seu diagnóstico, devem ser submetidos a exame clínico pormenorizado e categorizados em grupos de risco, onde então receberão proposta terapêutica e seguimento clínico individualizados.

Entre as feridas de difícil cicatrização, merecem destaque as úlceras diabéticas, as úlceras de pressão e as deiscências cirúrgicas. O manejo deve ser individualizado e realizado por profissionais capacitados para tal cenário.

Diferentes e inovadoras propostas de apoio à cicatrização têm sido reportadas, porém, deve-se estar atento à real relevância clínica e evidência científica de cada método.

As úlceras nos pés e as amputações dos membros inferiores são complicações muito graves e de alto custo para o paciente e para a sociedade, estando associadas freqüentemente à alta morbi - mortalidade e elevadas taxas de recorrência. As feridas complicadas requerem abordagem interdisciplinar, realizada por equipe treinada e familiarizada com a abordagem do pé diabético.

Em relação ao manejo tópico das feridas crônicas, existem inúmeras propostas que variam desde antimicrobianos e cicatrizantes até o uso de fatores de crescimento e substitutos biológicos de pele. O importante é a equipe compreender os princípios de tratamento avançado de feridas, onde é necessário uma análise cuidadosa não só da lesão mas sim, do paciente como um todo.

Assim, é possível oferecer agentes locais (“curativos primários”) que possam interagir de acordo com o que a ferida está “pedindo”, proporcionando então, condições mais favoráveis para a otimização cicatricial.

Contudo, a evidência verdadeira na resolução do quadro local, se dá por meio do controle das doenças de base, do desbridamento cirúrgico dos tecidos desvitalizados e da descarga regional através de aparelhos gessados ou ortésicos customizados.

Em síntese, um verdadeiro “Programa de Prevenção e Tratamento do Pé Diabético e Feridas Complexas”, não se restringe à troca de curativos, ao corte adequado das unhas e à sugestão do uso de calçados, nem tão pouco é contemplado por opções terapêuticas isoladas e ditas milagrosas.

Obrigatoriamente, deve ser um programa extremamente abrangente e complexo, e que necessite de equipe efetivamente treinada, integrada e literalmente comprometida com a saúde e qualidade de vida do indivíduo e da sociedade.

Informações do autor :

Dr. Fábio Batista

- Professor Afiliado Doutor e Chefe do Ambulatório de Pé Diabético do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UNIFESP – Escola Paulista de Medicina

- Visiting Assistant Professor at University of Texas Health Science Center – San Antonio

- Visitante Distinguido e Professor Consultor da Clinica de Pé Diabético do Hospital Belén de Trujillo, no Peru

drfabiobatista.med.br

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