Gordura trans será banida dos Estados Unidos em três anos

Gordura trans será banida dos Estados Unidos em três anos

Presente em nuggets e outros processados, a gordura trans pode causar problemas como infarto e diabetes

A medida visa evitar infartos e outras complicações cardíacas. O Brasil também trabalha para reduzir a ingestão do composto.

Usada para intensificar o sabor e estender o prazo de validade de produtos industrializados, a gordura trans será banida das prateleiras norte-americanas em três anos. A determinação foi anunciada ontem pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), espécie de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dos Estados Unidos, e mudará a composição de produtos muito apreciados por adultos e crianças. Margarinas, pipocas, biscoitos, pizzas congeladas e processados em geral, como nuggets e batatas fritas, contêm a substância, presente nas populares gorduras vegetais hidrogenadas.

De acordo com o comunicado do FDA, a gordura trans “não é considerada segura para ser utilizada na alimentação humana”. O órgão fez uma revisão de estudos científicos que tratam dos efeitos dela para tomar a decisão. Várias pesquisas indicaram que o composto eleva o nível do chamado colesterol ruim, aumentando principalmente os riscos de complicações cardíacas. “Espera-se que sejam reduzidas as doenças coronarianas e possamos prevenir milhares de infartos cardíacos fatais todos os anos”, disse Stephen Ostroff, comissário da FDA, ao anunciar a medida.

Vice-presidente do Conselho Regional de Nutricionistas da 1ª Região, Aldemir Soares Mangabeira ressalta que, diferentemente do sal e do açúcar, não existe um estudo científico que determine uma quantidade segura de ingestão de gordura trans. Por isso, segundo o especialista, a decisão norte-americana é tão importante e deve servir de estímulo para outros países. “Além de elas comprovadamente causarem inflamação das artérias, há uma relação com a resistência insulínica, que está ligada ao diabetes”, complementa. “Se a indústria já encontrou substitutos, como a gordura interesterificada, chegamos ao ponto de tomar uma decisão parecida aqui também”, defende.

Pelo mundo

Em 2007, o Ministério da Saúde assinou um acordo com associações do setor produtivo para diminuir a quantidade de açúcar, gorduras e sódio de alimentos processados. A redução da gordura trans foi iniciada um ano depois, tendo como base um compromisso firmado com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para limitar em 5% do total de gorduras em alimentos processados e em 2% do total em óleos e margarinas. Em uma primeira avaliação em 2010, quando o acordo foi renovado, verificou-se que houve 93,4% de alcance das metas pelas indústrias vinculadas à Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação. Ou seja, a retirada de 250 mil toneladas de gorduras trans dos processados.

Fonte : Carmen Souza , Ciência e Saúde -Correio Braziliense

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