Diabetes mellitus e depressão

Autor: Carolina Antunes

Responsável pelo Departamento de Psicologia da ANAD

Algumas alterações nos aspectos emocionais podem influenciar na adesão ao tratamento do paciente com Diabetes Mellitus, a depressão é uma delas.

Os sintomas depressivos dificultam a adesão ao tratamento e estão relacionados com o descontrole glicêmico, causando assim, um aumento das complicações clínicas e uma piora na qualidade de vida.

Os pacientes com diabetes necessitam modificar seus hábitos alimentares e estilos de vida, aderindo esquemas terapêuticos restritivos, tais como aplicações regulares de insulina e monitorização glicêmica diária. Além disso, estes pacientes devem lidar com o fato de ter que conviver durante toda a vida com uma doença que é responsável por complicações clínicas que prejudicam a saúde do indivíduo. Todas essas variáveis poderão repercutir no estado de humor dos pacientes diabéticos.

A palavra depressão é utilizada para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza) quanto um sintoma, uma síndrome ou uma doença. A depressão apresenta alterações neuroquímicas e hormonais que teriam efeitos hiperglicemiantes e poderiam acarretar distúrbios no metabolismo glicêmico. A hiperglicemia persistente, característica da doença, atinge de forma significativa os indivíduos, exigindo alterações importantes em seus estilos de vida.

Os apoios sociais disponíveis nos ambientes: familiar, trabalho e interpessoal são de imensa importância no tratamento do paciente diabético.

Pacientes que não possuem um suporte social apresentam sintomas depressivos que influenciam em uma menor adesão às orientações do tratamento e maiores risco de interrupção do uso das medicações, contribuindo para uma possível piora do controle glicêmico.

A qualidade de vida (QV) relacionada à saúde refere-se ao modo como a doença, e os tratamentos médicos influenciam na percepção individual de funcionamento global. A avaliação da QV tem sido importante no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, como o DM.

Além disso, a necessidade de mudança de estilo de vida e do controle adequado da glicemia (realização de glicemia capilar, aplicação de insulina, mudança dos hábitos alimentares) influencia a forma como o paciente avalia seu bem estar.

A utilização de programas educacionais para os pacientes diabéticos pode levar a uma melhora da sintomatologia depressiva.

Aqui na ANAD contamos com diversos grupos e atividades educacionais, que trabalham assuntos relacionados com a doença e com os aspectos pessoais de cada indivíduo. A simples participação dos pacientes nesses programas nos mostra uma melhora na adesão ao tratamento e na forma como o indivíduo lida com a doença. Percebemos que essas atividades podem estimular o interesse dos pacientes pela sua doença, motivando-os para se cuidarem cada vez mais.

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