Estudo mostra que diversificar alimentação evita vício por pratos calóricos

Pesquisa com 502 mulheres mostra que aquelas que têm o hábito de comer pratos exóticos são mais saudáveis.

Arriscar no cardápio pode trazer benefícios à saúde, principalmente entre as mulheres. É o que mostra um estudo publicado recentemente na revista científica Obesity. Um grupo de pesquisadores norte-americanos analisou voluntárias que adoram experimentar culinárias exóticas e descobriu que as aventureiras da gastronomia se alimentam de forma mais saudável e estão em forma. Os cientistas acreditam que o trabalho possa ajudar a influenciar outras pessoas a diversificar as refeições e, dessa forma, seguir dietas equilibradas.

No experimento, foram analisadas 502 mulheres, que relataram comer uma grande variedade de alimentos considerados exóticos, como seitan (carne de glúten com origem japonesa), língua de boi e kimchi (acompanhamento coreano à base de vegetais). Por meio de exames clínicos — para a análise da composição corporal dos participantes — e relatórios médicos — a fim de esmiuçar também os hábitos alimentares das participantes —, os cientistas conseguiram analisar detalhadamente o perfil de cada uma delas.

Como resultado, perceberam que as mulheres com o índice de massa corporal (IMC) mais baixo do que o de pessoas que não se aventuram tanto na gastronomia seguiam também rituais distintos na hora de se alimentar. “Elas relataram estar muito mais propensas a ter mais amigos para o jantar”, exemplificou, em comunicado, Lara Latimer, uma das autoras do trabalho e pesquisadora da Universidade do Texas.

Influência evolutiva

Os estudiosos acreditam que essa busca pela alimentação diferenciada possa ser explicada por um fato histórico. Existem inclusive pesquisas que sugerem que há um argumento evolutivo para procurarmos refeições variadas. “Antes de a comida ser onipresente em nossas vidas, era vantajoso para a sobrevivência procurar alimentos de vários tipos para satisfazer as necessidades de micronutrientes. Agora que temos tantas opções disponíveis, isso pode encorajar excessos. É possível que, ao comer de forma aventureira, surja naturalmente um melhor consumo de alimentos”, destacam os autores.

Brian Wansink, um dos integrantes do estudo e professor e diretor do laboratório Food and Brand da Universidade de Cornell, ressalta que a análise feita pode servir de incentivo para pessoas que estão acima do peso e tentam entrar em forma. “Em vez de ficar com a mesma salada chata, podemos começar adicionando algo novo. O que pode dar mais romance, diversão e tornar uma vida saudável”, explica. “Nossos resultados mostram que a promoção da alimentação aventureira pode fornecer uma maneira para as pessoas — especialmente mulheres — perderem ou manterem o peso sem se sentirem restringidas por uma dieta rigorosa.”

Distúrbios

Aldemir Mangabeira, nutricionista do curso de gastronomia do Centro Universitário Iesb, sugere uma outra aplicação. Segundo ele, o estudo publicado na Obesity pode ajudar a entender melhor como algumas enfermidades ligadas à alimentação são desencadeadas. “Há muitos pontos ainda obscuros que estão por trás de algumas doenças crônicas, sobretudo as que são relacionadas ao diabetes tipo 2 quando para a saúde do intestino. Acredito que, indiretamente, as conclusões da pesquisa de que comer de tudo tenha relação com um eventual benefício que o intestino podem ser benéficas”, destaca.

O nutricionista também acredita que os roupantes alimentares durante a gravidez possam estar ligados ao mesmo mecanismo. “Quando uma gestante, sem razões culturais ou de aceitabilidade, desenvolve preferências por determinados alimentos, talvez seja um sinal de que o organismo está necessitando determinados nutrientes que ela pode não ter disponível. Atender a essa demanda pode ser benéfico para o bebê e para a saúde dela”, diz, ressaltando, em seguida, que fugir da rotina faz bem para a flora intestinal. “Ter uma alimentação ampla tende a prover uma gama maior de nutrientes, bem como de bactérias benéficas ao intestino.”

Fonte: CB - Ciencia e Saúde , por Vilhena Soares

postado em 21/07/2015

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