Uso de remédio para Diabetes, como emagrecedor

Autor :Fadlo Fraige Filho ,Medico Endocrinologista CRMESP 13986

Presidente FENAD / ANAD

Tendo em vista o alerta do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo de 12 de março , motivo de reportagem no Jornal Nacional de 28 de março , esclarecemos o seguinte:

1 – O artigo publicado, bem como a reportagem, criam entre os portadores de Diabetes um clima de apreensão, insegurança e pânico que não corresponde a realidade.

Com relação à classe médica prescritora, tanto a publicação quanto a reportagem, induzem à conclusão por parte dos pacientes sobre a falta de responsabilidade e desconhecimento sobre esses fatos. Outro engano.

2 – A avaliação do núcleo de farmacovigilância da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em 2.318 notificações, associada ao uso desses medicamentos, foi no período de maio de 2005 a dezembro de 2013 portanto 9 anos.Desse número, 790 foram consideradas graves.Desconhece o senhor coordenador, o universo de pacientes em uso desses medicamentos, nesse período, 8 a 9 milhões sendo este o número ao qual deveria ter sido comparado os 790 casos graves, e não ao universo de suas 2.318 notificações.

Assim, seus números apontados nessa publicação, não correspondem à realidade por serem estatisticamente incorretos .

3 – Desconhece também o senhor coordenador e o Centro de Vigilância Sanitária a publicação de um dos mais importantes jornais de medicina, “The New England Journal of Medicine”, de 27/02/2014, pag. 794 a 796, o trabalho intitulado “Segurança pancreática em drogas baseadas em Incretinas” FDA and EMA assessment, que concluiu que as “assertivas concernentes entre a associação causal e as drogas baseadas em incretinas e pancreatite e câncer pancreático, como expressado recentemente em literatura científica e na imprensa são inconsistentes, com os dados atuais”. “O FDA e a EMA não alcançaram uma conclusão com relação à relação causal, embora a totalidade dos dados tenham sido revistos, afirmam que pancreatite continuará a ser considerada como risco associado à essas drogas, até que mais dados estejam disponíveis e que o corrente conhecimento é adequadamente refletido nas bulas e na informação dos produtos.

4 – Este tipo de manifestação com dados estatísticos errados é no mínimo alarmista, inconsequente e irresponsável, pois o assunto vem sendo debatido e não comprovado pela comunidade científica e pelos verdadeiros guardiões da farmacovigilância mundial que são a FDA e o EMA.

5 – A desinformação começa quando se fala do uso dessa classe de medicamentos por obesos e termina causando pânico em todos os diabéticos, que hoje se constituem numa grande maioria no uso dessa classe.

6 – Fica evidente na reportagem, a ilegalidade institucionalizada no Brasil que é a venda livre de medicamentos, para os quais deveriam ser exigida a receita médica, e cuja responsável direta é a falta de fiscalização, justamente dos Centros de Vigilância Sanitária, incentivando assim a automedicação e cujo objetivo é apenas lucro imediato por parte das farmácias,

7 – Parte desses medicamentos é prescrita por médicos que aproveitando o efeito colateral do emagrecimento, prescrevem para obesos sem Diabetes, fazendo essa prescrição de maneira contestável, fora da autorização das autoridades regulatórias uma vez que, para estes medicamentos não foram realizadas pesquisas e estudos em pacientes obesos não diabéticos. Esta má prática é feita por conta e risco do profissional médico.

8 – O desconhecimento vai às raias do ridículo, quando inclui a metformina, que é a droga mais usada em todo o mundo, não fazendo parte deste grupo de drogas, sendo a mais consagrada no tratamento do DM2. Depois do seu desastroso comunicado tentou corrigir dizendo “que se referia as combinações “.Estudos em progressão usam a metformina como droga anticâncer, até agora com sucesso.

Pelo exposto é necessário que haja uma retratação científica, jurídica e de imprensa para restabelecer a verdade e diminuir o pânico causado.

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