Diabetes: doença deve alcançar todos os países e afetar a maioria das pessoas em 25 anos

Segundo projeções da Federação Internacional do Diabetes, até 2040 um em cada dez adultos do mundo terá a doença, um total de 642 milhões de indivíduos. O número representa um aumento de 54% do número de pacientes atual, de 415 milhões. Esses dados integram o Atlas do Diabetes, lançado no dia primeiro de dezembro no Canadá, durante congresso mundial da doença.

Para o médico endocrinologista Mohamad Barakat, os números apontam para uma direção em que todo país terá que lidar com a doença. O diabetes deve atingir, direta e indiretamente, todas as pessoas do mundo. Ainda segundo o relatório, cerca de 12% de todos os gastos globais com saúde são feitos para a doença, alcançando a soma de 673 bilhões de dólares, e 46,5% dos adultos doentes não são diagnosticados, desenvolvendo a doença sem receber tratamento ou informações para seu controle.

“Estamos falando de uma condição crônica, profundamente ligada ao estilo de vida moderno na forma da rotina sedentária e da má alimentação, proveniente majoritariamente de alimentos industrializados. Esses fatores são muito mais importantes do que a própria carga genética dos pacientes, sendo decisivos para o desenvolvimento do tipo 2 da doença, o mais comum”, explica.

Evitando a doença

Segundo Barakat, a alimentação precária moderna influencia no desenvolvimento da doença por conta de sua qualidade cada vez menor. Ele conta que a falta de cuidado com o que se consome faz com que cada vez mais aumentem as quantidades alimentos industrializados e refinados. Produtos que são extremamente atrativos, mas, para ele, completamente prejudiciais e cheios de calorias vazias (sem valor nutricional).

“Mais do que isso, o próprio processo de industrialização tem sua parcela de culpa, já que esses alimentos passam por diversos tratamentos que os fazem serem mais rapidamente absorvidos pelo organismo. Como resultado, temos bombas calóricas entrando regularmente no corpo, causando picos de insulina, quando o metabolismo tenta absorver essa quantidade absurda de energia. O resultado de anos nesse ciclo é a resistência à insulina, quando o corpo já não consegue mais absorver a glicose, desenvolvendo o diabetes”, ressalta.

Saúde pública

O especialista ainda salienta outro ponto chave para a questão do diabetes, especificamente no Brasil – a permissividade das normas brasileiras. Ele conta que a indústria alimentícia no País emprega grandes quantidades de açúcar refinado na produção de alimentos que, consumidos sem controle, ajudam no desenvolvimento do diabetes.

“Essa jogada é ótima para os fabricantes, que continuam empurrando esse tipo de comida em propagandas alegres e coloridas até mesmo para crianças, que já aprendem a optar pela comida mais doce desde pequenos. Enquanto isso, o Brasil continua omisso, sem controlar as práticas dessa indústria que fatura bilhões às custas da saúde dos consumidores”, explica Barakat.

Mudança de cultura

Para o médico endocrinologista, é necessária uma mudança de paradigma na alimentação mundial, diminuindo o espaço ocupado pelos produtos industrializados nas despensas e investindo na reeducação alimentar. Ele conta que somente esse tipo de ação pode reverter o cenário apontado pelo Atlas do Diabetes, mas por inúmeras pesquisas, de doenças cardiovasculares a câncer.

Por conta do estilo de vida, a alimentação de hoje é baseada em farinha branca e alimentos industrializados. Quem tem pré-disposição ao diabetes tipo 2, pode evitar, com hábitos comuns, desde que sejam inseridos no cotidiano. Atualmente, jovens com 20 estão desenvolvendo diabetes junto com os pais que têm em média 60 anos devido a uma série de fatores como sedentarismo, noites mal dormidas, o que acelera o processo genético de desenvolvimento da doença. Como é silenciosa, se desenvolve se dor ou sintomas é preciso estar atento com a carga genética.

“Enquanto continuarmos nos alimentando mal e naturalizando comportamentos sedentários, esses casos de doenças continuarão a se multiplicar, afetando a saúde da população mundial, sua produtividade e até os cofres públicos, que terão gastos cada vez maiores com problemas crônicos e incuráveis”, finaliza.

Fonte: RS Press -

Editoria Saúde de 12/12/15

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