Fazer Implante Coclear Unilateral ou Bilateral?

Fazer Implante Coclear Unilateral ou Bilateral?

Uma dúvida muito frequente dos pais dos pacientes que serão implantados é: qual o benefício do implante coclear bilateral (nas duas orelhas)? Essa dúvida surge principalmente pelo fato do SUS liberar, no momento, apenas um implante coclear por paciente e também devido a alguns cirurgiões que ainda recomendam implante unilateral (em apenas uma orelha).

É fato que o implante coclear unilateral é eficaz, proporcionando aquisição de linguagem oralizada na maioria dos casos (se realizada em idade ideal, com acompanhamento fonoaudiológico adequado e em pacientes sem outros comprometimentos importantes). Mas dados objetivos de estudos médicos comprovam que o implante bilateral é mais eficiente que o implante unilateral.

O implante bilateral proporciona melhora em relação ao unilateral principalmente em duas situações: compreensão de fala em ambientes ruidosos e localização da fonte sonora. Estudos comprovam que, em lugares barulhentos, o indivíduo que ouve com duas orelhas compreende melhor o que as outras pessoas falam, enquanto o indivíduo com uma orelha apresentará mais dificuldade. Isso ocorre porque existe o chamado “efeito sombra da cabeça”.

Imagine um paciente conversando em um local ruidoso. O som que o paciente quer entender virá da sua frente, e o som que o indivíduo não quer ouvir virá dos seus lados. Agora suponha que o som indesejado venha do lado direito. Neste caso, o ouvido direito terá dificuldade de entender o som que vem da frente, mas a cabeça faz um “efeito de sombra” na orelha esquerda que bloqueia o som que vem pela direita e ajuda na audição do que vem pela frente.

A localização da fonte sonora também é importante tanto para sons de perigo (como buzina de carro) como para sons ambientais e conversas em grupos. Nosso cérebro consegue estabelecer de onde vem o som através da diferença de intensidade e de tempo que o som leva para chegar entre dois ouvidos.

Um argumento pouco usado, mas que em minha opinião é bastante importante é a segurança em manter uma orelha funcionante em caso de quebra de uma das próteses. Os implantes cocleares, como qualquer outro dispositivo eletrônico, possuem um índice de falha (pequeno). Se a parte interna do implante falhar, as empresas geralmente arcarão com os custos da reposição. Já a parte externa tem uma garantia limitada, fora da qual o paciente deve pagar pelo conserto. Também podem ocorrer traumas locais, perdas e até roubos de aparelhos. Se um paciente implantado bilateral ficar sem uma das próteses momentaneamente, terá a outra.

O implante bilateral pode ser realizado simultaneamente (na mesma cirurgia) ou sequencialmente (em duas cirurgias, uma para cada lado, com diferença de cerca de 6 meses entre elas). Não existe consenso sobre o que é melhor, mas a maioria dos médicos hoje prefere o implante simultâneo. Se realizado sequencialmente, o tempo entre as duas cirurgias não deve ser muito longo. O ideal é que as cirurgias sejam feitas com cerca de 6 meses de intervalo. Se o paciente fizer uma cirurgia unilateral e for fazer a cirurgia do outro lado muitos anos depois, o benefício será menor. Isso acontece porque o cérebro se adapta inicialmente a uma audição unilateral, e quando recebe o bilateral após um tempo mais longo, vai demorar em conseguir “igualar a importância das orelhas”, ou seja, o paciente ficará inicialmente com uma “orelha dominante”, que usará mais para a compreensão do som.

O SUS, no momento, oferece apenas um implante coclear por indivíduo. Isso ocorre devido ao alto custo das próteses e ao grande número de pacientes que precisam do tratamento. Também é assim em muitos países da América Latina e até da Europa. Países com sistema de saúde mais completos, como o Canadá, oferecem implante bilateral.

Os planos de saúde, via de regra, oferecem implante coclear bilateral.

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