O que é o Implante Coclear Híbrido?

O implante híbrido é uma nova tecnologia derivada do implante coclear tradicional. Foi concebido para tratar pacientes que possuem perda auditiva severa a profunda em frequências agudas, mas com frequências graves (250 a 1000 Hz) com perda auditiva até moderada severa. Pacientes com esse perfil audiométrico apresentam grande dificuldade de discriminação sonora. Entendem os sons graves (principalmente vogais), mas não os sons agudos (principalmente as consoantes), levando a uma discriminação sonora muito pobre. O paciente ouve o som da fala, mas entende muito pouco do que é dito.

Na cóclea, as células responsáveis pela audição de frequências mais agudas ficam logo no início do giro basal (início do caracol). Já as frequências mais graves são ouvidas na região mais apical da cóclea (ponta do caracol). A ideia no implante híbrido é misturar implante coclear com AASI (aparelho auditivo convencional), ou seja, utilizar um implante com eletrodo curto para estimular a região basal da cóclea, e um amplificador sonoro para estimular a região apical da cóclea. É o que se chama de “estimulação eletro-acústica”. Diversos estudos já mostraram que este tipo de estimulação, quando a cirurgia é realizada com sucesso, é melhor do que apenas a estimulação elétrica do implante coclear sozinha.

Esse implante NÃO substitui o implante coclear, ele está indicado para um tipo específico de paciente. O implante coclear está indicado para pacientes com perda auditiva severa a profunda em todas as frequências nos dois ouvidos. O implante híbrido está indicado para pacientes com perda auditiva severa a profunda em frequências agudas, mas com perda até moderada a severa nas frequências graves. Além disso, a perda auditiva não pode ser progressiva (estar progressivamente piorando), tem que estar estável.

Para que esse implante dê certo, é preciso que a cirurgia não machuque a região mais apical da cóclea. Para isso, foi desenvolvido um eletrodo especial: curto e bastante flexível. Esse eletrodo tem por função ser atraumático, e preservar as estruturas intracocleares para que não haja uma perda da audição residual. Mesmo com o uso do eletrodo especial, existe uma parcela dos pacientes que apresentam uma perda auditiva total da audição residual durante a cirurgia. O índice de sucesso desta cirurgia é entre 50 a 70%, variando de cirurgião para cirurgião. Quando há perda da audição residual, o paciente usará o eletrodo intracoclear sozinho, com a troca do processador híbrido para o processador de implante coclear. Neste caso, apesar do eletrodo ser mais curto, sua ativação isolada ainda pode oferecer bons resultados.

Existem dois implantes híbridos disponíveis, da Med-el e da Cochlear. A Med-el foi a primeira empresa a iniciar essa tecnologia, e está na segunda geração de seu híbrido. Chama-se EAS. A Cochlear possui o Sistema Hybrid.

Med-el: medel.com/br/show/index/id/...

Cochlear: la.cochlearamericas.com/pt-...

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